Pascoal da Conceição é o zoólogo Von Koren

Von Koren: nome russo “germanizado”. Koren em russo é raiz.

“Um cientista, no navio, me disse que o Mar Negro tem a fauna pobre, que a vida orgânica nas profundezas dele não é possível por causa da abundância de gás sulfúrico. Todos os zoólogos sérios trabalham nas estações biológicas em Nápoles ou Villefranche. Mas Von Koren é independente e teimoso: trabalha no Mar Negro porque ninguém trabalha aqui. ” – Laiévski em O Duelo

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O Cáucaso

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As ondas ressoam tepidamente na costa montanhosa do Cáucaso, à beira abismal do Mar Negro. Noite quase não branca. Talvez, estejamos em Sukhúmi: cidade dos lutos, dos tabacos e dos óleos essenciais. Apitos de navios misturados com gritos de marinheiros bêbados – em russo, em francês, em português, em crioulos do mundo inteiro. Um uivo de lobo, um cante hondo armênio, um pregão em apsni, que é a língua dos abkhazios. Vez por outra, estranhas risadas e, sobretudo, zunidos de tiros borbotando da guerrilha local. Calor atroz.” – Trecho da adaptação de O Duelo

É nessa região, entre o Mar Negro e o Mar Cáspio, cercada por altas cordilheiras, que se passa O Duelo.

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A diretora Georgette Faddel, o assistente de direção Diego Moschkovich e os atores e produtores Aury Porto e Camila Pitanga estiveram em Sukhumi, na Abkhazian para sentir as pessoas, o mar, as pedras, cheiros e sabores, observar as cores, texturas, vestimentas, costumes, moradias e hábitos.

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” Na cidade despovoada e entediante, faz um calor insuportável; já no campo, debaixo de cada arbusto ou pedra, parece que há escorpiões e serpentes; atrás do campo, montanhas e deserto. Pessoas estranhas, natureza estranha, cultura pobre — tudo isso não é tão fácil como passear na avenida Nêvski, vestido de casaco de pele, de braço dado com Nadejda Fiódorovna, e sonhar com países quentes. Aqui é preciso enfrentar uma luta de vida ou morte, e que lutador eu sou? Um neurastênico miserável, um folgado…”

Laiévski em trecho da novela O Duelo

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O início com golfinhos

“A primeira impressão de todos foi de que jamais conseguiriam sair dali.”

O Duelo – Cap. VI

Li “O Duelo”, novela do russo Anton Tchekhov, no final de novembro de 2012, durante uma semana muito especial na minha vida, em Fernando de Noronha.

Lembro-me de mergulhar com golfinhos e entrar em completo êxtase, minutos antes de terminar a leitura. Me apaixonei pelos personagens e logo comecei a fantasiá-los sob a interpretação de Camila Pitanga e Aury Porto. Foram esses dois atores que me absorveram no processo de adaptação dessa novela para o teatro, que ainda está no início da sua gestação. Durante a leitura eu também vivia os primeiros dias da minha gravidez, sequer sabia que uma semente em mim germinava. Image

(Auto-retrato em Fernando de Noronha – novembro de 2012)

Laiévski, Nadiejda e os golfinhos viraram boa memória, até que dois meses depois Aury me convidou para ser o olho do mundo durante o processo de criação da peça o Duelo. Meu trabalho seria cuidar do blog, postar vídeos, imagens e impressões e como meu diretor criativo, Aury disse: imagine que estamos criando uma obra, assim como você está criando a sua grande obra – sua filha. Uma linda oportunidade de me entregar ao processo e ao sentimento essencial dos criadores. Sinto-me privilegiada e inauguro o blog agradecendo com todo coração a todos que estão partilhando comigo esse momento divino da descoberta da arte. Gratidão a toda equipe e atores. Demos as mãos e seguimos lado a lado.

Sou a Simone Elias, videomaker, diretora e sócia da produtora Andara Filmes.