Sergio Siviero é o Fantasma de Dímov e Kirílin

Sergio Siviero fará dois personagens na peça. Um presente e um grande desafio.

Fantasma de Dímov sobrenome construído a partir do substantivo Dym = fumaça. _MG_0298

“Nádienhka, Nádienhka… Perdão! Ah, as medusas! Desde que você foi embora, eu não… (Ele ri, entre lágrimas.) Amolecimento do cérebro? Balela… Errei o tiro, só isso. Morri devagar. Mas foi quase… quase uma renascença. “Quando morrem, os cavalos – respiram,/ Quando morrem, as ervas – secam,/ Quando morrem os sóis – se apagam,/ Quando morrem, os homens – cantam.” Você se lembra desse poema? (Pausa.) E eu cantei, Nádienhka. (Ele para de fazer carinho em Nadiejda e contempla por um momento o rosto de Laiévski. Fecha os olhos.) Errei o tiro, só isso! Não soube apertar o gatilho, assim como não soube chegar mais perto de você. (Ri, melancólico.) Desde que você foi embora, eu não, eu não… Morri a passo de boi, até chegar aqui. (Dá um beijo em Laiévski, que acorda esbaforido. O Fantasma de Dímov desvanece, levando consigo o pêssego mordido de Nadiejda. Batem à porta.) ” – Trecho da adaptação de O Duelo

Kirílin sobrenome típico da nobreza russa, vem de Kirill (Cirilo). São Cirilo foi um dos fundadores da igreja ortodoxa. 31” O comissário de polícia, Kirílin, homem alto e bem apessoado, de capote que usava por cima da túnica independente do tempo, com sua postura altiva e maneira imponente de andar, a voz grossa com uma pequena rouquidão, lembrava chefes policiais provincianos recém-escalados. Estava com cara triste e sonolenta, como se acabasse de ser acordado contra sua vontade.” – Trecho da novela O Duelo

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Guilherme Calzavara é Atchmiánov

Atchmiánov brincadeira com “Atchmá” – pastelzinho com carne típico da Armênia e Geórgia._MG_9759

“….Atchmiánov, indeciso, aproximou-se pouco depois.

— É uma linda noite hoje! — disse ele com um leve sotaque armênio.

O jovem não era nada mau, vestia-se à moda, seu comportamento era simples e bem educado, mas Nadejda Fiódorovna não gostava dele por estar devendo trezentos rublos a seu pai; e foi desagradável para ela o fato de um comerciante ter sido convidado ao piquenique e também o fato de ele ter se aproximado dela justamente nessa noite, quando se sentia tão bem, com a alma lavada… ”

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Vanderlei Bernardino é o médico Samóilenko

Samóilenko: sobrenome tradicional ucraniano formado a partir de Samuíl (Samuel) que significa “aquele que é ouvido por deus”.

“…Samóilenko causava nos recém-chegados uma impressão desagradável de homem grosseiro e mandão; porém, passados dois ou três dias após o primeiro contato, seu rosto já parecia ser extremamente bondoso, simpático e até bonito. Apesar do jeito desengonçado e do tom meio rude, era uma pessoa pacata, infinitamente generosa, benévola e prestativa. Era informal com todos da cidade, emprestava dinheiro, medicava, arranjava casamentos, reconciliava, organizava piqueniques, nos quais fazia churrascos e preparava uma sopa de tainha muito saborosa; sempre intervinha e solicitava por alguém e sempre tinha motivo para se sentir feliz. Na opinião geral, era um homem sem pecados e tinha apenas duas fraquezas: em primeiro lugar, ficava acanhado com sua bondade e procurava disfarçá-la com rudeza e olhar severo e, em segundo, queria que os enfermeiros e soldados o tratassem por “Vossa Excelência”,embora sua categoria fosse apenas a de conselheiro civil.” – Trecho da novela O Duelo

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Cáucaso – história e cultura

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Svetlana Ruseishvili, socióloga nascida na região do Cáucaso, nos presenteou com seu conhecimento de história e cultura desse lugar tão especial, de clima sub-tropical, mar quente, altas montanhas e pouco povoado. Essas informações foram extraídas de sua aula.

“Na cidade despovoada e entediante, faz um calor insuportável; já no campo, debaixo de cada arbusto ou pedra, parece que há escorpiões e serpentes; atrás do campo, montanhas e deserto. Pessoas estranhas, natureza estranha, cultura pobre – tudo isso não é tão fácil como passear na avenida Niêvsky, vestido de casaco de pele, de braço dado com Nadejda Fiódorovna, e sonhar com países quentes. Aqui é preciso enfrentar uma luta de vida ou morte […] “ – Laiévski em trecho da novela O Duelo

Sukhishvili Ballet – Cia de Dança Georgiana – A mulher dança doce como o cisne e o homem é a águia.

Djiguitovka – arte de dominar o cavalo. “Djiguit” do turco – cavaleiro valente. Arte conhecida ainda pelos romanos, que inspirou apresentações de circo de hoje.

Desde o século XVI I I o Cáucaso inspira escritores russos (muitos deles foram lá para o exílio ou se tratar nas estações de águas caucasianas): Aleksandr Púshkin “O prisoneiro do Cáucaso” (1820), Leon Tolstoi (1870), Mikhail Lermontov:“ o demônio” (1829-1841)”

As vestimentas:Screen Shot 2013-05-14 at 11.57.59Obras de Niko Pirosmani – artista caucasianoScreen Shot 2013-05-14 at 12.07.50

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Camila Pitanga é Nadiejda

Nadiejda (apelido – Nádia) = esperança.

“Nadiejda pensava que somente ela sabia se vestir com bom gosto, elegância e sem gastar muito. Ela pensava que só ela podia ser admirada pelos homens da cidade. E eles, certamente tinham inveja de Laiévski. Mas, nesse momento ela se sentia culpada, porque, em primeiro lugar, nunca compartilhou dos sonhos dele de levar uma vida de trabalho no Cáucaso. Em segundo lugar, nesses dois anos, sem o conhecimento dele, ela pegou na loja de Atchmiánov várias miudezas no valor de uns trezentos rublos. Em terceiro lugar, ela recebeu Kirílin, o comissário de polícia, em sua casa, por duas vezes: uma de manhã, e outra vez, à meia noite. Sempre na ausência de Laiévski. Ao se lembrar disso, Nadiejda olhou para trás, temendo que alguém pudesse ler seus pensamentos. (Pausa.) Os dias longos, insuportavelmente quentes e enfadonhos, as noites lindas e langorosas, as madrugadas mormacentas… e toda essa vida, quando de manhã até de noite não se sabe como matar o tempo, e os pensamentos obsessivos de que ela é a mulher mais bonita e jovem da cidade fizeram com que, aos poucos, os desejos se apoderassem de Nadiejda e, dia e noite, como uma louca, ela só pensava numa coisa. Ela sentia apenas desejo. O marulho dizia a ela que era preciso amar. A escuridão noturna, as montanhas diziam a ela que era preciso amar, amar…” – Trechos da adaptação de O Duelo

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