MAIS CRIANÇAS

Andando por Brasília na manhã deste sábado, eu e meu amigo Fredy Állan estamos, em silêncio, indo em direção à Faculdade de Artes Dulcina de Morais.
De figurino, personagens de O DUELO vamos pra Intervenção Urbana.
Tão filmando, quero falar!
Morador de rua: O Brasil precisa fazer mais crianças!
Mais crianças…
Amarramos um barbante no tronco da árvore cortada, vamos atravessando, na cara e na coragem, a galeria do shopping pra chegar até a escola. Mas o segurança quer duelar com o Fredy: Por que não pode teatro aqui?! No shopping não pode, e pronto. Pra coisa não pesar, tiramos o barbante.
Mais crianças…
Entramos na escola, barbante da portaria até a sala de aula sempre unindo tudo, ligamos os alunos e vamos cantando até o teatro meio sem luz, cadeiras quebradas, piso machucado, por um buraco deu pra ver o anexo a sala Conchita de Morais, virou depósito de cadeiras quebradas, teatro do absurdo/peça do Ionesco. Uma porta fechada. O que tem atrás da porta? O acervo da atriz! Não tem chave. No camarim que foi da Dulcina os alunos decidem: amanhã, domingo, vamos voltar, meio dia, com a chave. .
Mais crianças….
Agora, domingo, mais uma manhã de compromissos enquanto nos aprontamos o Fredy me mostra a manchete do Correio Brasiliense com uma longa entrevista da atriz Fernanda Montenegro:
“NÃO SE PODE VIVER DE TEATRO NO BRASIL”.
A Dulcina gostava de flores amarelas, onde vamos encontrar tão cedo?
Ela provavelmente diria: NÃO SE PODE VIVER SEM TEATRO EM QUALQUER LUGAR DO MUNDO, PRINCIPALMENTE NO BRASIL!!!!!!!
E eu concordo com Dulcina e também acredito que precisamos fazer mais crianças.
E teatro.
Merda.

Pascoal da Conceição